A defesa de um setor estratégico

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Jefferson José da Conceição (jeffdacsenior@gmail.com)

O ferramentareiro e as empresas de ferramentaria não apenas contribuíram com nossa industrialização como garantem importante papel no presente e no futuro de nosso desenvolvimento. Mas já se afirma que o ferramenteiro um profissional em extinção.

Infelizmente isto acontece por vários motivos: concorrência desleal com o ferramental produzido em outros países; forte valorização do Real; juros ainda elevados no financiamento interno; reestruturação draconiana promovida pelas montadoras de veículos, que impõe o suprimento a partir de empresas globais e forte redução de fornecedores.

De fato, diversas empresas do setor têm enfrentado falta de encomendas e ociosidade crescente e milhares de empregos são sacrificados. É diante deste difícil contexto que o ABCD impõe-se o desafio da defesa de um setor estratégico. Refiro-me à recente articulação entre poder público, sindicatos, associações e empresas, em prol de uma política para o setor de moldes e ferramentais.

As prefeituras de São Bernardo e de Diadema, por meio das suas Secretarias de Desenvolvimento Econômico, juntamente com representantes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, da Abimaq, da Abifa e de aproximadamente 40 empresas do setor constituíram, ao final de 2011, o GT (Grupo de Trabalho), cujos principais propósitos são: 1) fortalecer o associativismo e a cooperação entre as empresas do setor; 2) dialogar coletivamente com as montadoras de veículos para incluir as ferramentarias nacionais nos futuros projetos de veículos; 3) prospectar novos mercados complementares, especialmente nas promissoras áreas de petróleo e gás, indústria de defesa, indústria ferroviária e linha branca; 4) estabelecer diálogo com as instituições financeiras, em particular o BNDES, para facilitar o crédito para o segmento; 5) incluir a engenharia de ferramentais nos projetos dos futuros parques tecnológicos em debate atualmente na Região.

Entre as principais ações do GT até o momento estão: a constituição jurídica do APL (Arranjo Produtivo Local) de Ferramentaria; o início das conversações com as montadoras, com vistas, sobretudo, ao incremento das encomendas para o setor no Brasil; a abertura de diálogo com o BNDES, para construir um programa específico de financiamento ao setor (o “Pró-Ferramentaria”).

Destaque ainda para a inclusão, no novo Regime Automotivo Nacional, da ferramentaria na regra que estabelece que a aquisição do item no País possibilita que o comprador usufrua do crédito presumido do IPI, no âmbito do Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores (MP nº 563, de 3/4/2012, art. 33, §2o, V). A inclusão da ferramentaria é fruto das articulações promovidas pelo GT junto ao governo federal.

Os passos já dados pelo GT apontam para uma trajetória que, esperamos, será eficaz na defesa da produção, dos empregos e da preservação do conhecimento tecnológico de um segmento-chave no tecido industrial da Região do ABCD, do Estado de São Paulo e do Brasil.

*Jefferson José da Conceição é secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e turismo de São Bernardo do Campo.

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