Volks: 60 anos inovando nas relações de trabalho

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Jefferson José da Conceição (jeffdacsenior@gmail.com)

De uma relação de conflitos ao diálogo
Maior montadora no Brasil, a Volkswagen faz 60 anos no País. Uma justa homenagem será prestada na Câmara de São Bernardo no dia 27. Neste artigo, focaremos nas relações de trabalho na empresa.

Em 1979, havia na fábrica Anchieta 43 mil trabalhadores diretos. Nas últimas décadas, a Volks passou por reestruturação e reduziram-se os empregos diretos. Em 2006, atingiu-se o patamar mais baixo, 12,8 mil. Desde então, o emprego vem se recuperando, alcançando 15,2 mil em 2013.

Em 1980, a Volks cria a Comissão de Representantes dos Empregados para administrar as relações entre capital e trabalho. A diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos posiciona-se contrária a essa comissão, por considerá-la “chapa branca”. A eleição da comissão tem votação inexpressiva, mostrando a força do sindicato, cujo presidente então era Luiz Inácio da Silva, o Lula.

Em 1982, a comissão (agora reconhecida pelo Sindicato) elege como prioridade o controle das novas tecnologias. Realiza a primeira manifestação contra o desemprego gerado pela automação e os Círculos de Controle da Qualidade. Em 1985, a comissão conquista o direito à informação prévia sobre projetos de mudanças organizacionais e tecnológicas.

Em 1987, as direções da Volks e da Ford criam a Autolatina, a fusão das operações das duas empresas. Os metalúrgicos mobilizam-se pela manutenção dos postos de trabalho em ambas as unidades.
Em 1991, o Sindicato dos Metalúrgicos e a Comissão negociam com a direção da empresa o inédito acordo prevendo o direito à informação e à negociação prévia quando dos projetos de terceirização.

Em 1997, há a ameaça de demissão de 10 mil trabalhadores. Os sindicatos do ABC e de Taubaté mobilizam-se. A empresa aceita garantir o emprego por um ano e realizar investimento em um novo produto (PQ24). Em contrapartida, amplia-se a flexibilização da jornada; reduz-se o adicional noturno; cria-se o banco de dias; abre-se o PDV.

Em 1998, nova ameaça de demissão de 7,5 mil. Os sindicatos voltam a se mobilizar e evitam as demissões.

Em 2001, o presidente do sindicato, Luiz Marinho – atual prefeito de São Bernardo – liderou negociação que
reverteu 3.075 demissões e garantiu estabilidade aos funcionários por cinco anos. A semana de quatro dias de trabalho, com a redução de até 15% no salário, seria compensada, mês a mês, por meio do pagamento de Participação nos Lucros para manter a renda dos trabalhadores.

Após essas soluções e o crescimento estabelecido pelos governos Lula e Dilma, a Volks voltou a investir no Brasil. Anunciou até 2016 investimentos na pintura, ferramentaria, armação, entre outros.

Registre-se ainda a participação de sindicalistas brasileiros no Conselho Mundial dos Trabalhadores da Volks e o financiamento do Instituto Solano Trindade, mantido com a doação no valor de uma hora por ano do trabalho, para projetos de inclusão social.

Parabéns à empresa e aos representantes dos trabalhadores, pelo amadurecimento nas relações e pelas inovações.


*Jefferson Conceição é secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo; Carlos Alberto Gonçalves é secretário adjunto.


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